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| Operação do BOPE, antes da implantação das UPPS no Pavão Pavãozinho |
Por força de uma consulta médica, estive em Copacabana, na segunda-feira (04/09). Ao parar em um local de lanches para comprar um suco, iniciei uma conversa com a balconista, depois que ela mencionou morar numa comunidade.
Meus neurônios jornalísticos aguçados, me fizeram prosseguir e descobri que a comunidade era o complexo conhecido como "Pavão Pavãozinho", uma das mais violentas da zona sul do Rio.
Entrei no assunto sobre a instalação das Unidade de Polícia Pacificadora e perguntei se ela estava gostando da implantação. Minha surpresa foi enorme, ao ouvir a seguinte declaração: "Tá todo mundo revoltado na comunidade. Antes desse negócio de UPP, todo mundo tinha TV à cabo, pagava R$30,00 de luz e não pagava IPTU nem água. Agora, ninguém mais tem SKY nem NET, a gente tem que se contentar só com os canais normais, tem que pagar R$90,00 de luz, R$80,00 de água e ainda paga IPTU! Tá igual a morar no asfalto, só não tem tiro."
Fiquei pensando...em minha casa, pago IPTU, um imposto além das minhas forças; pago taxas altíssimas de luz, água, telefone e, a idéia de ter TV à cabo nem passa por minha cabeça.
Ao mesmo tempo, vivo entregue aos cuidados de Deus porque nenhuma polícia garante a minha segurança ou a segurança de minha família.
Voltei pra Maricá pensando nas palavras da balconista da lanchonete e imaginei: o povo prefere viver na clandestinidade, sabendo que tudo o que tem é gatonet, gato de luz, gato, gato, gato... mesmo que haja chuva de balas diariamente nas guerras entre facções criminosas e milicianos.
Ninguém pensa que progresso custa e ser "legal" também é caro. Aquela chefe de família não se importa com valores morais, ética ou caráter; quer poder pagar a gatonet, o gatoluz etc.
"Morar na comunidade está igual a morar no asfalto."
Acho que não. Quem mora em comunidade hoje, tem uma Unidade de Polícia Pacificadora garantindo sua segurança; quem mora no asfalto, não tem isso.






